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11 de fevereiro de 2011

Uma Noite Alucinante

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A noite prometia céu claro, um final de tarde com vento agradável, saca?, no melhor estilo de outono,. Mal sabia eu o que me esperava.

Cheguei em casa depois de sair do trabalho e de tomar um Chopp com o pessoal, e como diriam a Velhas Virgens, "uma pro santo, a próxima é minha", e cá estou eu outra vez tropeçando na minha sombra, mas eu não estava tropeçando na sombra... ainda.

Não estava muito alto, o suficiente para não dar vexame e não apanhar da esposa quando chegar em casa,. Ainda bem que ela disse que ia na casa dos meus pais pegar as crianças e depois da janta voltariam, mas depois, pude perceber que foi uma benção ela e as crianças não estarem em casa quando eu cheguei.

Entrei em casa sem fazer muito barulho, mesmo ela não estando é melhor precaver, nunca se sabe, foi antes de acender a luz que eu percebi na penumbra aquela figura sinistra, andando de um lado para o outro na sala,. De inicio não a reconheci, mas fiquei observando para ver seu conseguiria, o reconheci e sabia exatamente do que ele e a sua raça eram capazes, "putz na minha sala", só faltava esse agora, não hesitei, pulei em cima dele com toda a voracidade e controle que meu estado permitia, me esborrachei no chão bonito, acho que foi nessa hora que eu desloquei o ombro, acho que ele deve ter se assustado com a minha reação e tentou fugir para o outro lado, estiquei o meu braço e o agarrei, joguei-o na parede com toda a força, incrível a dor naquela hora não existia, não sei se fora o álcool ou a agitação, mas a dor ainda não tinha se manifestado, jogá-lo na parede ao que parecia não teve nenhum efeito aparente, joguei-o com tanta força e raiva ,ele bateu na parede e "quicou" de volta em minha direção, consegui me esquivar na última hora, meio que me agachando e quase deitando no chão, pude o ver passando em câmera lenta, bem próximo a minha cabeça, mas não tinha tempo para pensar no ocorrido, se eu bobeasse ele e os seus "irmãos" poderiam acabar comigo, eu tinha de ser rápido, eu vi o que eles fizeram com o Raposão, ele era um vadio que ia com qualquer um, mas não merecia morrer daquele jeito, não ele, até meus filhos choraram naquele dia, e por isso eu tinha que acabar com eles.

Impulsionei com o braço que estava me apoiando e foi quando levantei que eu percebi, a DOR. O ombro começou a doer, mas eu sabia que ia ficar muito pior, então isso tem que ser rápido, segurei ele com o máximo de força que eu tinha, mesmo assim parecia que não conseguiria matá-lo, foi então que vi o vaso, ainda bem que as crianças deixaram a tampa levantada, com ele seguro mas com dor aumentando sabia que o tempo estava acabando, dei dois passos largos e o joguei de cara na privada, ele não se mexeu mais, ISSO MESMO, MORRE MALDITO, FILHO DE UMA CHUPADORA ... MORRE NA MERDA.

Ele estava lá literalmente na merda, e isso quase me matou, mas agora eu sei o que devo fazer se eu os ver novamente, chamo logo a dedetizadora e evito tanto trabalho, carrapatos malditos.



11 de janeiro de 2009

Uma parada em Posto do Rio

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Numa de minhas viagens, a única vez em que parei em Posto do Rio, uma pequena vila perdida no meio da selva, me chamou atenção as histórias das pessoas que ali moravam. Gente boa, acolhedora, porém sempre desconfiada de forasteiros.

Uma mulher de aparentemente uns cinqüenta anos de idade lavava roupa, surrando-a numa tábua como minha mãe fazia quando eu era criança. Parei para conversar e sem tirar os olhos de seu trabalho me contava fatos de sua vila. Contou-me sobre a cabra que num café da manhã que valia uns dez salários mínimos, comeu todo o dinheiro de um fazendeiro dono da maioria das terras ao redor da vila. A coitada não viveu mais que uma hora por conta de seu tão caro lanche, pagamento dos homens que faziam a cerca de arame farpado de uma das fazendas. Infelizmente, foi impossível reordenar todas aquelas notas, mas aproveitaram para comer carne de cabra assada naquela noite.

Contou-me sobre a Menina Triste. Quando nasceu seu choro não era por sair de seu confortável útero materno para um mundo novo e estranho, seu choro era de infelicidade, nascer um mês e meio antes não era o seu desejo, na verdade nascer quase nunca é um desejo. Sua vontade era de viver dentro de sua mãe, sair apenas quando tivesse uma necessidade extrema e voltar logo em seguida. Contudo, ela nasceu, sua mãe não sobreviveu e como seu pai não voltava de uma caçada eterna a um mamute que apenas ele tinha visto ao redor da vila, a menina foi criada pelo avô cego que vivia de aposentadoria. A garota cresceu e raramente sorria, por isso seu nome. Um dia, quando tinha dez anos de idade ela se matou. O motivo; ela estava muito feliz e suicidou-se antes de voltar a ficar triste.

Teve aquela outra menina que apareceu na casa que os moradores costumavam chamar de amaldiçoada, um rapaz da cidade grande, filho do fazendeiro disse ter visto uma foto dela numa revista ou de outra muito parecida com nome de Viviane Ferraz, vítima de um acidente de carro junto com outros colegas numa rodovia do outro lado do país. Assim como surgiu, desapareceu depois de conversar com uma das crianças dizendo se chamar... Viviane. Os moradores costumavam dizer que sua alma estava vagando e de alguma forma esteve presa ali.

Uma vez, apareceu um homem vendendo Frutas da Verdade, quem as comesse seria impossível mentir. Pediram que ele fizesse uma demonstração. Uma moça aproveitou e fez com que seu namorado que chegava naquela hora e não sabia sobre o provável efeito da fruta desse uma mordida, quando comeu ela perguntou quem ele amava e ele respondeu instantaneamente sem se dar conta, que amava a sogra. Com essa resposta sem precisar do auxílio das maçãs da verdade surgiram outras verdades onde juras de morte e vingança tomou conta de metade da metade da vila. Para não causar mais problema e possivelmente a queda desse pequeno povoado, o vendedor foi expulso e as verdades esquecidas por todos os atingidos.

A mulher terminava de enxaguar sua última peça de roupa quando deu minha hora de ir embora. Ainda me chamou para esperar pelo café, e eu disse que tinha de terminar minha viagem, uma ambulância passava naquele instante (coisa rara por aqueles lados) e eu dependia deste automóvel para retornar desta “parada”.


15 de setembro de 2008

Eu tenho um cachorro que não é meu

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Eu estava cheio de idéias fluindo em minha cabeça, só que não conseguia iniciar uma história.

- Cuidado, isso me parece plágio, hein?

- Isso não é plágio, é clichê...

Neste instante as idéias se esvaíram.

- Que desgraça!

Bom, eu me lembro de ter dito que ela era “uma flor com uma pétala arrancada”. Eu não falei o significado deste poeminha que acabara de criar para ela. Sou péssimo em poemas, sou péssimo em narrativas também. Meu amigo Antonio César sim, ele escreve algumas coisas legais, não é tão bom quanto García Marquez ou Dostoiévski, claro, mas diverte e até nos faz pensar um pouquinho. Bom, como eu ia dizendo, mesmo não tendo falado o que significava ela entendeu. Entendeu 10%, mas entendeu. Ela é muito inteligente, quase tanto quanto eu.

Ande de moto sem capacete pelo menos uma vez na vida, dizia minha amiga, minha melhor amiga, a Anna Carla Ferraz. Ela repetia isto a todos os seus melhores amigos e estes à algumas pessoas especiais.

Rodrigo e Antonio César fizeram alguma coisa errada. O que será que eles fizeram? Trouxeram cadeira para que se sentassem, porém permaneceram em pé.

Ah! Já ia me esquecendo, o nome da menina do poeminha é Maria Camilla. Quando ouvi a história sobre ela tirando foto em frente ao Banco da Camila, achei hilário. Como eu gostaria de conhecê-la.

- Tenho de cortar as unhas, estão me incomodando a escrever.

A Maria Camilla parece ser uma pessoa perfeita, adoraria conhecê-la, acho que já disse isso, não importa. Adoraria contar a ela sobre minhas viagens, sobre as reuniões filosóficas que eu e meus melhores amigos; a insuperável analítica Anna Carla, seu irmão, César Ferraz, profundo conhecedor de técnicas de assassinos seriais e a pessoa mais inteligente que conheci, Antonio César. Nem a conheço, mas sinto uma necessidade colossal e irresistível de amá-la e protegê-la. É como se eu sentisse que Maria Camilla fosse minha alma-gêmea, só que almas-gêmeas não existem. Isto é triste.

- O que vocês estão fazendo aqui? Sentem se, isso me incomoda.

Os dois se sentaram, tocava Enya na sala ao lado. Acho que a “coisa errada” que fizeram foi ter libertado a bola verde, aquela que no próximo eclipse iria repetir o ato do primeiro momento do início do Universo.

“É muito perigoso comparar crianças com anjos”. Será? Isto é relativo. Depende muito da criança. Depende muito da pessoa. O Renan, por exemplo, eu o compararia mais com o Demônio, já a Raissinha, ela sim, é um anjo, uma estrelinha. Depende da pessoa, depende da criança.

Nunca achei que terminaria assim, na verdade nunca achei que terminaria. A última coisa que pensei, sabe? na hora da morte, quando percebemos que a vida está se esvaindo da gente? então: é mentira quando dizem que toda a nossa vida passa pela nossa cabeça em um segundo. Pelo menos comigo não foi assim, não foi toda a minha vida que pensei, não dá tempo, na verdade pensei em todas as coisas que ainda não tinha feito: coisas que deixei “para depois”. Uma dessas coisas é que deveria conhecer alguém que meu amigo Antonio César conheceu em sua viagem a uma bienal no Rio de Janeiro.

- “Sinto uma necessidade irresistível de amá-la e protegê-la”.

- Durante toda a vida, a morte fugira de mim.

- Você não existe por completo, sempre faltará algo, talvez seja por isso.

A última coisa que fiz na vida foi morrer. Mas eu queria tanto escrever o final desta história, escrever depois de ter conhecido a Maria Camilla. Ela é um anjo, Antonio César me disse ter conseguido ver suas asas e sua auréola.

- Pode liberar os dois, eu mesmo vou terminar o que começaram! Essa raça de solitários e egoístas, destruidores da Natureza, adoradores da ilusão não merece existir por nem um dia a mais aqui Neste planeta abandonado nos recantos do Universo.

Antonio César deu um sorriso de felicidade. Rodrigo olhava sério como se estivesse indiferente. Outra música de Enya iniciava na sala ao lado.

Em nossas reuniões de filosofia, discutimos uma vez sobre o que Hegel dizia; dizia que tudo é uma realidade criada por nós mesmos, dizia que tudo é imaginação. Mas não é bem assim, o mundo está bem aqui na nossa frente. Apenas nos recusamos a aceitá-lo como realmente é. Isto é triste.

“- Ela é uma flor com uma pétala arrancada”.

Por que não me tornei um rebelde que depois de espalhar que tinha visões do futuro, as mãos seriam cortadas e os olhos furados e jogado nas ruas para que servisse de exemplo aos demais? Por quê?

Acordei e vi meu barco à deriva outra vez.

Os tripulantes desapareceram.

Os passageiros, idem.

Foi assim que vi minha morte. Não estou triste, meus olhos lacrimejam por causa da poeira. Morrerei de “fome” antes de o meu barco chegar à terra firme. Sem me despedir de meus amigos, e nem ver Maria Camilla.


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